sábado, 14 de novembro de 2015

Novo exame de sangue pode prever câncer de mama com até cinco anos de antecedência

Desenvolvido na Dinamarca, a novidade tem 80% de precisão —o que já é mais que os 75% da mamografia.

Um dos grandes problemas da mamografia é que ela pode deixar casos de câncer de mama passar despercebidos e dar falsos positivos para quem não tem nada. Além disso, ela só é capaz de detectar o problema quando ele já existe. Mesmo sendo um exame importante para a saúde feminina, ela poderá ser substituída, aos poucos, por alternativas mais precisas e modernas. O exame de sangue desenvolvido por cientistas dinamarqueses pode ser uma delas.

sangue

O teste mede todos os componentes no sangue para construir um "perfil metabólico" do indivíduo, para detectar mudanças no modo como os elementos são processados no corpo. Tudo isso durante o estágio que antecede o câncer. Um dos pesquisadores, Lars Ove Dragsted, explica que "O potencial é que podemos detectar uma doença como o câncer de mama muito mais cedo do que acontece hoje. Isso é importante porque é muito mais fácil tratar se o problema for descoberto cedo. No futuro, provavelmente vai ser possível usar modelos similares para prever outras doenças".

Se uma mulher descobrir o câncer no estágio 2, ela tem de 93% a 100% de chances de sobreviver. No estágio 3, 72% e no estágio 4, o número despenca para 22%.  Descobrir a doença antes mesmo de ela acontecer é crucial para que muitas mulheres nem cheguem a ter que lidar com tratamentos como a quimioterapia e radioterapia. Como completa o líder do projeto, Rasmus Bro, "O método não é perfeito, mas é incrível que nós possamos prever o câncer de mama com tantos anos de antecedência".

Fonte:Super Interessante

Lego humano: cientistas usam impressão 3D para criar blocos de células-tronco

A técnica pode ajudar na regeneração de tecidos e até mesmo na criação de microrganismos.

Os processos envolvendo células-tronco estão evoluindo e a mais nova técnica pesquisada é inspirada na infância de várias gerações. Cientistas das universidades de Tsingua, na China, e Brexel, nos EUA, descobriram uma forma de utilizar técnicas de impressão 3D para transformar as células em algo semelhante a blocos de Lego.
Em condições naturais, as células embrionárias se agrupam e formam esferas que podem se tornar qualquer tipo de célula do corpo humano. É justamente nisso que foca o novo estudo. Os pesquisadores preferiram estudar essa fase, e não células planas, analisadas normalmente em placas de petri. O grande problema era a dificuldade de prever o tamanho e a maneira como elas se agrupariam para, mais tarde, manipular as mesmas. O que os cientistas descobriram foi que, ao misturar as células com hidrogel e imprimi-las em uma estrutura com forma de grade, eles conseguiam fazer com que as células ficassem imóveis e crescessem em tamanho uniforme.
Lego médico
A padronização possibilitou que os envolvidos na pesquisa criassem blocos precisos de células, que facilita o controle desses amontados de maneira mais exata. O grupo de cientistas acredita que a novidade auxiliará em pesquisas sobre a regeneração de tecidos e testes na indústria farmacêutica.
Em comunicado, um dos líderes do projeto, Rui Yao, afirmou que a equipe agora planeja estudar como variar o tamanho das esferas e como isso pode ajudar na construção de diferentes tipos de célula. Se tudo der certo, laboratórios poderiam aglomerar materiais distintos para criar, até mesmo, novos microrganismos.

Por que seu cachorro vira a cabeça quando você fala com ele

Sabe quando o seu cachorro inclina a cabeça para o lado depois de receber uma bronca? Não, ele não está tentando ser fofo para amolecer o seu coração. Na realidade, o animal pode estar com dificuldades em ver o rosto do dono.

Cachorro

Tanto os olhos, quanto a boca, são componentes importantes para formar as expressões faciais do ser humano. Como os cachorros possuem uma inteligência emocional elevada, eles conseguem "ler" o rosto para obter informações sobre o estado emocional de qualquer pessoa.
No entanto, é preciso ver as feições para fazer essa decodificação. E isso pode ser um problema para os cães.
Cachorro
De acordo com uma pesquisa publicada no site Psychology Today, o focinho do cachorro faz com que ele não consiga ver a parte inferior do rosto humano. Assim, para facilitar a visualização das características faciais de seu dono, ele inclina a cabeça.
Para entender como funciona o mecanismo, basta você colocar seu punho na frente de seu nariz. Desse modo, você tem a noção de como é ter um focinho atrapalhando a sua visão.
A pesquisa foi feita com 582 pessoas. Elas precisaram dizer com que frequência seus cães inclinam a cabeça. Além disso, Stanley Coren, o cientista que conduziu o estudo, perguntou aos participantes qual era a raça dos animais.
Cachorro
Dos entrevistados, 62% disseram que seus animais inclinam a cabeça regularmente. Apenas 52% dos donos de cães com focinhos mais achatados (como pugs e bulldogs) disseram que eles inclinaram a cabeça.
Já 71% dos donos de cachorros com focinhos maiores informaram que os animais inclinam a cabeça com certa frequência.
Foi a partir dessa diferença estatística que Coren concluiu que o cachorro inclina a cabeça devido ao impacto do tamanho do focinho na visão do animal.
Cachorro
A proporção de cães de focinhos achatados que se inclinam ainda é grande. Por isso, o autor acredita que há outro fator que também faz com que eles façam esse movimento.
"Talvez a audição desempenhe um papel nesse caso. Ou ainda, os cães estão realmente tentando parecer fofos", disse Coren em um artigo sobre a pesquisa. "Esse estudo é um primeiro passo para encontrar a resposta."

Ter uma longa noite de sono - com pequenas interrupções - é pior que dormir pouco

insônia

Com o ritmo de correria e estresse de hoje, não é de se admirar que haja tanta pesquisa sobre o sono. Inclusive já descobrimos por que algumas pessoas precisam de mais horas de sono que as outras e analisamos o que acontece enquanto você dorme

Dessa vez, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, fizeram um estudo que sugere que ter o sono interrompido durante a noite - aquele que você dorme e acorda o tempo todo - pode ser menos saudável do que dormir por curtos períodos - mas sem pausas.  
Eles dividiram 62 pessoas (homens e mulheres) em dois grupos: metade era forçada a acordar quando pegava no sono e o outro grupo apenas ia para a cama mais tarde do que a média. Já na segunda noite dava para perceber que os que eram forçados a acordar estavam com o estado de espírito pior que as pessoas do outro grupo.
dormindo mal
Até aí esse comportamento já era esperado, mas no final da terceira noite, as estatísticas mostraram que dormir e acordar várias vezes no meio da noite afeta o bem-estar físico e mental.   
"Quando o sono é interrompido durante toda a noite, você não tem a oportunidade de progredir através dos estágios de sono para obter a quantidade de ondas de sono necessárias para uma noite perfeita, que é fundamental para o sentimento de restauração", explicou o principal autor do estudo Patrick Finan.
O estudo é importante para abrir novos caminhos para tratamentos de insônia, que é uma das maiores causas da depressão.

Intolerância ao glúten está relacionada ao estilo de vida da mãe

Mais de 1 milhão de brasileiros sofrem com o problema. Agora, pesquisadores da Universidade de Umeå, na Suécia, mostram que antes mesmo de nascer podemos estar condenados a ter doença celíaca.

O número de crianças portadoras de doença celíaca, que gera intolerância ao glúten, tem aumentado. Pesquisadores suecos investigaram em um novo estudo quais fatores relacionados ao estilo de vida, principalmente da mãe, poderiam ter a ver com esse crescimento. Os resultados ligaram os casos com cesáreas, infecções urinárias durante a gravidez e local de nascimento dos bebês.
De acordo com Fredinah Namatovu, um dos pesquisadores, "isso pode indicar que esses fatores contribuem para o desenvolvimento de microorganismos patogênicos desfavoráveis durante o início da vida - um fator associado ao desenvolvimento da doença celíaca". Isso quer dizer que a doença está relacionada com a alteração do microbioma humano, ou as bactérias que vivem dentro de nós. O parto por cesariana, por exemplo, impede que o bebê receba microorganismos importantes do canal vaginal materno. Algumas ações que visam a prevenção da doença se apoiam nas campanhas que promovem o parto normal e a redução do uso de antibióticos.
pão
O estudo também apontou que a exposição a infecções virais também é um fator de risco. Os cientistas observaram que crianças nascidas no sul da Suécia tinham um risco maior de desenvolver a doença. Namatovu explica: "Entre os médicos suecos sabe-se que as epidemias anuais do vírus sincicial respiratório (VSR) normalmente começam no sul e depois de espalham para o norte, o que aumenta a força da hipótese das infecções virais".

Site da Nasa divulga imagens da Terra tiradas diariamente; veja

Terra

A agência espacial americana criou um site com as imagens capturadas pelo satélite DSCOVR (Deep Space Climate Observatory, ou Observatório Climático do Espaço Profundo) - que tira uma foto da Terra por dia. Ele permite selecionar o mês e o dia, e observar como o planeta se modifica ao longo do tempo. O acervo de imagens tem um certo atraso - as fotos de hoje (dia 9), por exemplo, ainda não foram divulgadas -, e uma ou outra lacuna. Mas é bastante interessante: olhando com atenção, é possível notar os ciclos da atmosfera e do clima.   
O DSCOVR foi lançado em fevereiro deste ano, e está em órbita a 1,6 milhão de km de nós. A missão dele é servir como sistema primário de aviso para tempestades magnéticas solares, e como coletor de dados sobre o vento solar.
Gif Terra
É que, quando as tempestades solares alcançam a Terra, podem causar quedas de energia e afetar os sistemas de navegação de aviões. Um estudo feito em 2013 mostrou que o clima espacial extremo - que tem potencial de afetar o ambiente próximo à Terra - poderia causar um prejuízo de US$ 2,6 trilhões em danos. Por isso, é importante tentar prever esses eventos. Além disso, observar as mudanças de clima na atmosfera pode ser muito útil para cientistas e astrônomos.
Além do site com as fotos, a Nasa também criou uma conta no twitter só para o satélite, onde ela publica uma animação diária de imagens da Terra.

Injeção de células geneticamente modificadas cura câncer em bebê

Uma criança inglesa de 1 ano de idade foi a primeira pessoa do mundo a receber o tratamento.

Com apenas 14 semanas de idade, Layla Richards foi diagnosticada com um caso severo de leucemia, tipo de câncer que ataca os glóbulos brancos produzidos pela medula óssea. Depois de passar por quimioterapia e transplante de medula, os pais da menina receberam a notícia que ela estava em estado terminal, e que a melhor decisão seria partir para os cuidados paliativos. Eles decidiram insistir, e conseguiram uma autorização especial para experimentar um tratamento que só havia sido testado em ratos.

Layla

O procedimento consiste em inserir novos genes em linfócitos T, células de defesa do organismo, responsáveis por atacar infecções e anomalias. Os linfócitos são provenientes de doadores saudáveis, e são geneticamente alterados em laboratório para se comportarem de modo não natural. Dentro do núcleo celular, os novos genes agem de dois modos: primeiro, fazem com que os linfócitos fiquem imunes às drogas quimioterápicas, que normalmente os destroem. Os genes também reprogramam os linfócitos para que eles ataquem especificamente as células cancerosas. Até agora, dois meses depois, Layla continua livre da doença. Para ter certeza que o tratamento funcionou de forma definitiva é preciso esperar mais um ou dois anos.
O diretor do hospital em que Layla estava, Paul Veys, disse: "Como essa é a primeira vez que o tratamento foi testado em humanos, nós não sabíamos se ou quando ele funcionaria, ou se nós fomos precipitados ao utilizá-lo. A leucemia dela era tão agressiva que tal resposta é quase um milagre". Atualmente, um outro paciente está recebendo o mesmo tratamento que salvou a vida da criança.
Segundo o professor Waseem Qasim, que também trabalhou no caso, "Esse é um marco no uso da nova tecnologia de engenharia genética, e os efeitos para essa criança foram incríveis. Se replicados, os resultados podem representar um grande avanço no tratamento da leucemia e outros cânceres".

domingo, 8 de novembro de 2015

Confira recursos que existem no Xbox One, mas estão fora do PS4

Xbox One traz funcionalidades que seu principal concorrente, o PS4, não possui. O videogame da Microsoft foi lançado com apenas uma semana de diferença do seu rival, ambos em novembro de 2013. Nesses dois anos, os consoles mostraram pontos fortes e fracos.O TecCiência preparou uma lista com funções exclusivas ou melhores no Xbox One, como o excelente acessório Kinect, a possibilidade de fazer streaming do jogo para PC com Windows 10 e, principalmente, a retrocompatibilidade nativa com games de Xbox 360.

Kinect 2
Inicialmente vendido junto com o Xbox One, a câmera Kinect 2 pode ser adquirida separadamente. Com mais capacidade de processamento que a versão do Xbox 360, o acessório permite não apenas controlar jogos e menus usando movimentos do corpo, mas também dar dezenas de comandos para o videogame, permitindo realizar diversas ações dando algumas ordens. 
Confira os recursos que fazem o Xbox One ser superior ao PS4 (Foto: Divulgação/Microsoft)Confira os recursos que fazem o Xbox One ser superior ao PS4 (Foto: Divulgação/Microsoft)
Além disso, o Kinect permite reconhecimento dos jogadores, pois facilita o login na sessão e ainda o controle de qual jogador está no comando.
Retrocompatibilidade
Durante a E3 2015, a Microsoft anunciou que o Xbox One teria retrocompatibilidade nativa com games do Xbox 360, isto é, seria possível inserir os discos antigos no videogame que eles funcionariam. O esperado recurso finalmente será disponibilizado dia 12 de novembro, e conta com uma lista de mais de 100 jogos com funcionalidade garantida, entre eles Burnout Paradise, Forza Motorsport (do 2 até o 4) e The Witcher 2.
Retrocompatibilidade do Xbox One com o Xbox 360 estará disponível em 12 de novembro (Foto: Divulgação/Microsoft)Retrocompatibilidade do Xbox One com o Xbox 360 estará disponível em 12 de novembro (Foto: Divulgação/Microsoft)
Streaming para PC
Com o lançamento do Windows 10, o Xbox One ganhou a interessante funcionalidade de fazer stream de jogos para o PC. Fácil de configurar, esse recurso permite continuar a partida no computador enquanto, por exemplo, alguém quer usar a televisão para outra atividade. Também pode ser interessante, dependendo do jogo, enxergar o game mais próximo do monitor.
Snap
Com o poder de processamento da nova geração, uma das funcionalidades interessantes do Xbox One é o Snap, que permite executar duas tarefas ao mesmo tempo. Uma segunda janela é aberta no canto da tela, permitindo jogar enquanto conversa no Skype, acompanhar notícias, guia de achievement, sites, entre outros.
Aplicativo Xbox Smartglass
A Microsoft lançou o aplicativo Smartglass para controlar o Xbox One mesmo à distância. O app transforma o smartphone em uma extensão do videogame, permitindo usar o aparelho como uma segunda tela, navegar nos menus, realizar compras e controlar diversas ações no console, como mudar músicas e vídeos.
Aplicativo SmartGlass ajuda a controlar melhor o Xbox One (Foto: Divulgação/Microsoft)Aplicativo SmartGlass ajuda a controlar melhor o Xbox One (Foto: Divulgação/Microsoft)
Imagem de fundo personalizada
Parece algo inútil, mas muitos jogadores gostam de personalizar completamente seu ambiente de jogo. Alguns reclamam do fato de o PS4 não permitir colocar a imagem que desejam como papel de parede no menu. Já no Xbox One essa funcionalidade está disponível há algum tempo, dando mais liberdade para os usuários.
Skype em vídeo
O Skype é da Microsoft, e nada mais natural do que seu produto estar disponível também no Xbox One. E não apenas isso: com o Kinect é possível conversar em vídeo até enquanto joga.
Skype do Xbox One permite conversar enquanto joga ou assiste filmes (Foto: Divulgação/Microsoft)Skype do Xbox One permite conversar enquanto joga ou assiste filmes (Foto: Divulgação/Microsoft)
OneGuide
Ao ligar a televisão a cabo no Xbox One, o videogame passa a funcionar como um guia televisivo. Além de mostrar a programação dos canais, o OneGuide traz ainda informações extras, como sinopse e autores de filmes, horários em que o programa será reprisado, entre outros.
Processamento em Nuvem
O processamento em Nuvem pode aumentar o poder do videogame em até 13 vezes – segundo os desenvolvedores de Crackdown 3, que sai em 2016 e faz uso da nuvem. Outros games que utilizaram essa capacidade extra foram Forza 5 e 6 com a funcionalidade Drivatar, que avalia o desempenho do jogador após os dados serem enviados aos servidores. 
Dessa forma, a inteligência artificial dos demais personagens eram ajustadas para melhorar a experiência. Apesar de não ter sido tão utilizada, a nuvem pode aumentar a vida útil do videogame por algum tempo.
HD Externo para salvar jogos
Tanto o Xbox One quanto o PS4 contam com 500 Gb de capacidade de armazenamento em suas versões padrão. Parece muito, mas com a grande quantidade de jogos digitais vendidas hoje a capacidade do disco acaba rapidamente. O videogame da Microsoft tem algo que o concorrente não tem: pode usar um HD externo para armazenar os games, inclusive jogando-os direto do acessório, sem precisar copiar novamente para dentro do console. No PS4 o armazenamento externo serve apenas para mídias como vídeo, música e fotos.
Fonte:Tech Tudo

Motorola lança Moto G Turbo Edition



Muito se especulou sobre a configuração da nova geração do Moto G, inclusive um chip Octa-core para revolucionar. Porém a Motorola apresentou o aparelho com o já conhecido Snapdragon 410 com processador Quad-core de 1.4 GHz, o que decepcionou um pouco. Mas o pior sem dúvidas foi seu preço bem salgado.
Porém depois de alguns meses, a Motorola anunciou uma nova versão do Moto G para o mercado mexicano, o Moto G Turbo Edition que chega com configuração bem mais potente com o chip Snapdragon 615 64 bits com seu processador Octa-core de até 1.7 GHz, aliado a GPU Adreno 405, 2 GB de memória RAM e 16 GB de memória interna.
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Com essa configuração, o valor da nova versão do Moto G é um pouco salgada, equivalente a US$283 dólares, o que na conversão direta ultrapassa os R$1000 reais facilmente, isso sem impostos. Se a versão com Snapdragon 410 e 2 GB de RAM já está por R$1199 por aqui, o Moto G Turbo Edition não deve chegar por menos de R$1299, o que não deve fazer sentido, já que por R$1399 temos o Moto X Play.
Além do hardware mais potente, o Moto G Turbo Edition vem com tela Full HD de 5 polegadas. Ele conta com tecnologia de carregamento rápido TurboPower e tem também a certificação IPX7, o que garante resistente a água.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:
  • CHIPSET: Snapdragon 615 64 bits;
  • PROCESSADOR: Octa-core de até 1.7 GHz;
  • GPU: Adreno 405;
  • MEMÓRIA RAM: 2 GB;
  • MEMÓRIA INTERNA: 16 GB;
  • CÂMERAS: 13 megapixels com flash dual-LED e frontal com 5 MP;
  • TELA: 5″ com resolução Full HD;
  • BATERIA: 2470 mAh;
  • SISTEMA: Android 5.1.1 Lollipop.
Ainda não temos informações oficiais para chegada do Moto G Turbo Edition no Brasil, porém a Motorola poderia arrasar e lançar ele por R$999, não era gente? Deixando o modelo com Snapdragon 410 na casa dos R$800.

sábado, 7 de novembro de 2015

"O Big Bang é um mal-entendido"

Hubert Reeves, astrofísico franco-canadense, fala sobre o Big Bang.

Hubert Reeves, um dos mais instigantes astrofísicos da atualidade, diz que a ciência não sabe como o Universo surgiu: “ Ela nem sabe se o Universo teve uma origem”. Para ele, a Grande Explosão é só uma metáfora sobre o estado de Cosmo há cerca de 15 bilhões de anos.


O lançamento de um telescópio espacial e a construção de um anel subterrâneo para o choque de partículas subatômicas têm mais em comum do que a vista alcança: astrônomos, de um lado, e físicos, de outro, todos querem à sua maneira enxergar o Universo como era há uns 15 bilhões de anos, quando surgiu de uma explosão cósmica. Surgiu? Explosão? De repente, o Big Bang, uma das idéias científicas mais elegantes do século XX, sucesso de público e de crítica, começa a ser duramente questionado. Nada prova que o Universo tenha surgido, dizem os novos céticos. E, se surgiu, nada prova que tenha sido de uma explosão.

Nesse fascinante debate, uma voz ocupa cada vez mais o centro das atenções. Trata-se do astrofísico franco-canadense Hubert Reeves, 67 anos, doutor em Física pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, ex-conselheiro científico da NASA e diretor de pesquisa do renomado Centro Nacional de Investigações Científicas (CNRS), em Paris. De aparência frágil, embora seu esporte preferido seja esquiar, e temperamento afável, embora não se recuse à polemica. Reeves cultiva uma barba bíblica e uma louvável atitude de humildade cientifica. Conhecido divulgador de obras de ciência, dedicou "a todas as pessoas maravilhadas com o mundo" um de seus livros editados no Brasil, Um pouco mais de azul (1986). O outro é A hora do deslumbramento (1988). Nesta entrevista a Dominique Simonnet, da revista francesa L'Express, que SUPERINTERESSANTE publica com exclusividade para o Brasil, ele explica por que o Big Bang, a seu ver, virou -uma nova mitologia".



Hoje em dia, não é só aos homens de fé, mas, sobretudo aos homens de ciência, que se pergunta a respeito das grandes questões existenciais. Principalmente àqueles, como o senhor, que buscam encontrar nossas origens nas estrelas. Será que a Astrofísica quer se impor como uma nova metafísica?
Nem seria preciso. Se desde alguns anos os astrofísicos tornaram-se freqüentemente ouvidos sobre questões religiosas, se tanto as pessoas se perguntam qual o lugar do homem no Universo, talvez seja simplesmente porque tomamos consciência da nossa fragilidade e da do nosso planeta. Mas não se deve esquecer que ciência e religião percorrem campos muito diferentes: a primeira se pergunta como o mundo é feito: a segunda, como viver nossa vida de homens. Elas podem se esclarecer mutuamente, mas desde que cada uma permaneça em seu território. De rosto, sempre que a Igreja tentou impor sua explicação do mundo resultou um conflito. Lembrando-nos de Galileu e de Darwin



Não obstante, a religião católica parece aceitar bem atualmente as proposições da Astrofísica, a famosa teoria do Big Bang, por exemplo.

Sim. Talvez porque se fez do Big Bang uma nova mitologia, identificando-o à criação bíblica do mundo, o Fiat Lux (Faça-se a luz)



Mas como não fazer a aproximação? No princípio era o Big Bang, uma formidável explosão de luz, a 15 bilhões de anos, dando origem no Universo. Não é o que dizem os astrofísicos?

Não. Não podemos afirmar que o Big Bang seja a origem do Universo.


Mas é o que os senhores vêm repetindo há anos.

Eu sei. Provavelmente nós nos exprimimos mal e fomos também mal compreendidos. Hoje a ciência de modo algum pode afirmar que conhece a origem do Universo. Ela nem sequer sabe se o Universo teve uma origem. Falar de um começo implica obrigatoriamente a idéia de que antes desse acontecimento não havia nada. Ora, isso não sabemos.


Se assim é, se o Big Bang não é a Origem, o que quer dizer afinal essa expressão?

Ela designa o estado em que se encontrava o Universo há 15 bilhões de anos, eis tudo. Ou seja, a época mais longínqua que nossos meios atuais permitem alcançar. Somos como exploradores diante de um oceano: não sabemos se existe algo além do horizonte. Com efeito, o Big Bang não representa os limites do mundo, mas unicamente os limites dos nossos conhecimentos. Tudo o que sabemos é que há 15 bilhões de anos o Universo era muito diferente do atual: era extremamente quente — bilhões cie graus —, muito denso e desorganizado. Evidentemente, nada de vida, nada de estrelas, nada de galáxias. Nada de moléculas, nada de átomos, nada mesmo de núcleos atômicos. Apenas uma sopa gigantesca, um purê de partículas elementares: elétrons, fótons (ou seja, pequenos grãos de luz) e também quarks e neutrinos, os futuros constituintes dos átomos. Numa palavra, o caos.


Como se sabe disso?

Graças às descobertas da Física e da Cosmologia. Um primeiro grande princípio foi enunciado por Galileu. Antes dele, acreditava-se que existiam dois mundos: o nosso, cambiante e perecível: e o outro mundo, situado além da -Lua, imutável e eterno. -Não obstante, a Lua tem montanhas como a Terra'', constatou Galileu. O que sugere que ambas são astros que fazem parte de um mundo único e que este é regido pelas mesmas leis. É uma descoberta fundamental aquela que Newton enunciará por sua vez: as leis da Física se aplicam tanto à Terra quanto ao Universo inteiro. Graças a esse principio, desde o século XVIII foi possível, por exemplo, estudar o espectro atômico das estrelas e hoje simular as forças do Universo nos grandes aceleradores de partículas. Agora, existem provas de que as constantes universais, como a velocidade da luz ou a massa de um elétron, não variam há bilhões de anos.



Que provas são essas?


Ao contrario dos historiadores que jamais poderão contemplar Roma Antiga, os astrofísicos podem verdadeiramente ver o passado. Na escala do Universo, a luz não viaja tão depressa assim. Um telescópio é uma maquina de voltar atrás no tempo: permite observar astros muito longínquos como os quasares, cuja luz levou 12 bilhões de anos para nos alcançar, astros que não existem mais hoje.



Quer dizer que os astros que vemos essas miríades de estrelas, todas essas galáxias não passam de uma ilusão, uma imagem do passado?

Mas, tudo o que vemos é assim. Não se vê jamais o presente. Quando eu olho, para você, eu a vejo no estado em que estava há um centésimo de microssegundo, o tempo que a luz levou para chegar até mim. Um centésimo de microssegundo é muito tempo na escala atômica. Felizmente, os seres humanos não desaparecem nesse lapso de tempo e eu posso formular sem risco a hipótese de que você está sempre aí. O mesmo vale para o Sol: durante os oito minutos que sua luz leva para chegar à Terra, ele não muda fundamentalmente. Mas, para os astros distantes, é diferente. Quando se fixa um quasar, se recebe uma luz velha, emitida há 12 bilhões de anos. Ora, sabemos que a luz - outra importante descoberta da Física - é na verdade um fluxo de minúsculas partículas a que chamamos fótons. No nosso olho, ou na objetiva do telescópio, recebemos, portanto fótons muito velhos, que viajaram durante 12 bilhões de anos. Em laboratório podemos perfeitamente estudá-los e analisar, por exemplo, sua freqüência ou sua energia. Além disso, sabemos fabricar simplesmente um novo fóton, ao criar um lampejo de luz. Comparando as duas partículas, a muito velha e a nova em folha, encontramos as mesmas constantes físicas. As leis não mudaram passados bilhões de anos.



Ainda assim, o Universo mudou.

Sim, é de resto a grande descoberta do nosso século: o Universo evolui, tem uma historia, não é nem imóvel nem eterno, assim como Galileu, Newton e mesmo Einstein o pensaram.
Dispõe-se até de provas visíveis: a escuridão do céu por exemplo.



Por que isso seria uma prova da evolução do Universo?
Se o Universo fosse eterno, as estrelas teriam emitido luz desde sempre e o céu estaria repleto de claridade. Se é negro, é porque as estrelas nem sempre existiram. E porque, de resto, o espaço entre elas aumenta sem cessar. Disso estamos hoje convencidos: o Universo está em expansão. Foi um astrônomo americano, Edwin Hubble, chie por volta de 1930 constatou que as galáxias se distanciavam umas das outras, tanto mais rapidamente quanto is distantes fossem. Algo como um pudim de passas que se leva ao forno: á medida que ele cresce as passas se distanciam umas das outras. Esse movimento conjunto foi confirmado depois por numerosas experiências e hoje se admite que o Universo infla e esfria há cerca de 15 bilhões de anos.


Por que se chegou a 15 bilhões?

Basta passar o filme ao contrário. Quanto mais se volta atrás no tempo, mais as galáxias se aproximam: o Universo é cada vez mais denso, logo cada vez mais quente e cada vez mais luminoso. Chega-se assim a 15 bilhões de anos. Nesse instante a densidade da matéria é infinita, assim como a temperatura do Universo. Tudo isso está confirmado por fósseis descobertos recentemente.



Fósseis? 

Fósseis cosmológicos são, com efeito, os dados de observação que permitem reconstituir o passado. Algo como os pré-historiadores fazem com fragmentos de ossos. Assim descobrimos uma "radiação fóssil" que permitiu calcular que há 15 bilhões de anos o Universo tinha uma temperatura de pelo menos 3 mil graus. Outros elementos recentes, as medidas da relativa abundância de hidrogênio e de hélio, mostram que cerca de 1 milhão de anos antes o calor alcançava 10 bilhões de graus. E mesmo somente alguns minutos antes, vários bilhões de graus.



Eis então nosso Big Bang. Voltamos à idéia de um começo. Se retornamos no tempo, o seu Universo-pudim é apenas uma bola, com todas as passas agrupadas.

Não. Nossos modelos matemáticos sugerem que, nesse instante, mesmo que a matéria estivesse num estado de densidade muito grande, o Universo era já infinito. Ou, se você preferir, um purê de dimensões infinitas.



Nada de explosão inicial então? 

Podemos reter a imagem da explosão se admitirmos que aquilo explodia em toda parte, em cada ponto do espaço.



Por que o nome Big Bang?

Foi por desprezo que um pesquisador, Fred Hoyle, assim designou, ridicularizando essa teoria de que ele não gostava. Hoje é aceita por todos os cientistas, mas o Big Bang para nós é apenas uma metáfora, pois, em relação àquele momento, nossas noções tradicionais de tempo e espaço não fazem mais sentido.



Por quê?

Porque, nessas altíssimas temperaturas, nossas teorias não se aplicam mais. Toda a Física afunda. Atualmente dispomos de duas grandes teorias: a Física Quântica, que explica muito bem o funcionamento dos átomos e de suas interações, desde que estes não sejam expostos a uma forte gravidade: e a Teoria da Relatividade, que descreve bem o comportamento da matéria sob forte gravidade desde que não se a considere como um conjunto de átomos. Portanto, nenhuma se permite estudar as partículas submetidas a uma forte gravidade, como, foi o caso há 15 bilhões de anos. E o problema fundamental da Cosmologia contemporânea: não conseguimos conciliar essas duas teorias. Muitos pesquisadores, entre os quais Stephen Hawking, trabalham nessa direção. Eles inventam modelos físicos muito complexos, como a "supersimetria", as "supercordas", a "supergravidadc" ou ainda os "miniuniversos". Mas até o presente com pouco sucesso.



Nem se pode dizer se houve ou não um “antes”?

Justamente, não. No passado, quando alguém perguntava o que fazia Deus antes de criar o mundo, havia o costume de responder: “Ele preparava o inferno para os que fizessem essa pergunta”. Santo Agostinho, de seu lado, respondeu: "Perguntar isso supor que o tempo existisse antes da criação do mundos, Ora, também o tempo foi criado”. Hoje em dia os astrofísicos estão um pouco na mesma situação.
Nas condições do Big Bang já não podemos aplicar nossas teorias, o espaço-tempo não é mais definido, não sabemos mais o que significa a palavra “antes”. Eis por que a questão da origem nos deixa, a nós, astrofísicos, mudos e desamparados.



De onde pode vir a solução? Da teoria ou da observação do céu?

Das duas. É necessário que encontremos uma teoria mais global do Universo. Mas estou pronto a apostar que a observação e a descoberta a precederão. Os seres humanos, com efeito, não tem muita imaginação. Poderemos talvez progredir graças ao telescópio espacial, por exemplo, que nos permitirá enxergar mais longe, sem sermos atrapalhados pelo véu da atmosfera terrestre, portanto voltar atrás bastante no tempo durante o milhão de anos que se seguiu ao Big Bang.



E talvez até a este?


Não o “veremos” realmente, pois, quanto mais nos aproximamos, mais o Universo fica opaco, velado pela luz emitida durante o milhão de anos seguinte. Mas, com outros instrumentos, como o telescópio de neutrinos, ainda num futuro longínquo, poderíamos obter uma espécie de radioscopia do Universo, o equivalente ao que se vê do corpo ao observar as imagens de raios X ou dos scanners. Por volta do ano 2000, o telescópio de gravitons, uma espécie de sismógrafo do espaço, permitirá receber não a luz dos astros como um telescópio clássico, mas suas ondas gravitacionais.




Já se conhece bem, agora, o enredo que se desenrolou depois do Big Bang?

Sim, algumas etapas. Ao esfriar, o Universo vai se estruturar conforme o jogo das quatro forças fundamentais que se diferenciaram pouco após o Big Bang: a gravidade (que nos mantém no chão e governa os astros), a força eletromagnética (que une os átomos, por exemplo, o oxigênio e o hidrogênio na molécula de água), a força nuclear forte (que sol- da os núcleos dos átomos) e a força fraca (que governa os neutrinos). Alguns milionésimos de segundos após o Big Bang, as partículas de matéria, os quarks, começam a se organizar em prótons e nêutrons. Estes, por sua vez, vão formar os primeiros núcleos dos átomos simples, como o do hélio. Este último é muito estável – até demais, pois vai frear essa evolução durante um milhão de anos, tempo em que o Universo continua a esfriar e se presta a novas combinações.



Portanto, a evolução não continuou?

Não, Houve soluços, períodos de aceleração. E fases parecidas com as da água, que , ao esfriar, passa do estado de vapor ao de liquido, depois ao de gelo. O Universo passou inicialmente do estado de radiação ao de matéria. Desde então, a gravidade começa a agir: a sopa de partículas forma coágulos, a matéria se concentra em grandes massas: as galáxias, depois as estrelas. Estas vão servir de cadinho aos prótons e aos nêutrons que ai se instalam em núcleos de átomos. Alguns milhões de anos mais tarde, certas estrelas, por falta de combustível, sucumbem e morrem, expulsando sua matéria. Dessa vez, graças à força eletromagnética, os núcleos ejetados se associam enfim em átomos e em moléculas: o hidrogênio, o oxigênio, o gás carbônico e também grãos de poeira, os primeiros sólidos, que irão se agregar para formar os planetas. O nosso nasceu há 5 bilhões de anos. No oceano primitivo, as moléculas cada vez mais complexas se combinam de modo a formar as primeiras células, os primeiros seres vivos. A evolução biológica segue se curso, o homem aparece... Pode-se dizer que os bilhões de bilhões de partículas que constituem os átomos do nosso corpo já existiam há 15 bilhões de anos. A diferença é que hoje elas não estão mais no caos, mas agrupadas na estruturas extremamente complexas que permitem o pensamento.



Quer dizer que a história do Universo é a história da complexidade?

Ela pode ser lida como tal. O Universo sempre evolui d simples para o complexo. Mas atenção: isso só diz respeito a uma porção muito pequena do espaço. A maior parte está ainda muito desorganizada. As nuvens de gás que existem entre as estrelas se parecem com aquilo que eram no momento do Big Bang. Podemos observar uma espécie de pirâmide da evolução cósmica. Quanto mais organizada e complexas as estruturas, menos elas são numerosas. É de certo modo como na Terra: os grandes predadores são menos numerosos que suas presas.



Em suma, o senhor estendeu ao Universo inteiro a idéia darwiniana da evolução e fala como se o Universo tivesse obedecido a uma espécie de lógica. Diria o senhor que o apartamento dos planetas e da vida era inevitável?

Eu tenderia a dizer que sim. Mas é uma opinião pessoal, da qual alguns dos meus colegas não partilham. As leis físicas são ajustadas para produzir a complexidade. Assim, de duas uma: ou elas mesmas decorrem de um principio mais geral, de uma espécie de teoria última do Universo o crente dirá que um ser supremo as fez férteis ou, como dirá ateu, elas decorrem do acaso. Mas nesse ponto se sai da ciência. O que parece assentado é que a complexidade estava inscrita desde o Big Bang. Todavia ela só pôde se expandir em razão do desequilíbrio do Universo.



Como assim?

Se o Universo tivesse esfriado muito lentamente, a matéria teria alcançado depressa um equilíbrio, ela se teria condensado em ferro, o elemento mais estável, e não teria evoluído. Não se conhecem elementos complexos construídos somente a partir de átomos de ferro. Felizmente, graças a seu esfriamento rápido, o Universo pôde produzir em quantidades importantes os outros átomos, corno o carbono, que se presta a muitíssimas combinações, até formar a extrema complexidade do cérebro humano, estrutura distante da estabilidade. De certo modo o equilíbrio é a morte. Um cadáver, por sinal, assume esse estado: as moléculas das quais é formado se desintegram em moléculas rnais simples.



Será que o Universo vai recuperar um dia um equilíbrio, será que ele também morrerá ou vai inchar e esfriar indefinidamente?

Pensa-se que ele continua a esfriar, mas cada vez menos depressa. Nosso Sol vai morrer em 5 bilhões de anos, depois de ter gasto seu combustível. Em mil bilhões de anos todas as estrelas do Universo estarão consumidas e se pensa que não haverá novos astros em formação. Restarão os buracos negros, que requerem mais tempo para se evaporar. E depois? Não se sabe. Mas é muito possível que não tenhamos arrolado todas as forças da natureza, que exista uma quinta, uma sexta força... No começo do século, só se conheciam duas. Ora, toda nova força é suscetível de prolongar a vida do Universo. De acordo corn outro enredo, a temperatura do Universo tornará a subir nesse caso seria necessário retomar filme de trás para diante. Num certo momento teria havido tanta luz que o céu se tornaria branco. A Terra se vaporizaria, a matéria se dissociaria. Nada de vida, nada de organização. As partículas dissociadas recuperariam um estado de equilíbrio. Mas esse enredo é pouco compatível com as observações e não se crê muito nele.



Será que aparecimento do homem modifica essa longa marcha da complexidade?

O homem já intervém na evolução, inventa inteligência artificial. Os cérebros humanos continuam a produzir complexidade. Nós apenas damos continuidade à tarefa da natureza.



Pondo-a em perigo.

Sim. Se nos damos conta de tudo que foi necessário para se chegar aonde estamos, à primeira margarida e a esses seres que agora podem tomar consciência do Universo e discutir suas origens, isso deveria incitar-nos a uma avaliação do nosso comportamento presente.



“O Universo começou sem o homem e terminará sem ele”, disse o antropólogo Lévi-Strauss. O senhor está de acordo com ele?

O homem, talvez, mas não necessariamente a inteligência. Se o ser humano desaparecer, poderia haver outras espécies inteligentes que talvez alcançassem níveis de complexidade ainda mais elevados. Todo o Universo é construído de maneira homogênea. Para onde quer que se olhe se percebe que as primeiras etapas da complexidade já foram superadas: existem estrelas e galáxias que se parecem bastante às nossas e se pode postular ali a própria presença de carbono. Se uma molécula possui mais de quatro átomos, existe carbono! Pode-se assim supor que as etapas seguintes da complexidade tenham sido franqueadas em outros planetas. A inteligência e a consciência me parecem produtos mais ou menos inevitáveis da história do Universo. Penso que elas prosseguirão na sua evolução. Com ou sem nós.



“Os astrofísicos são comparáveis a exploradores diante do oceano: não sabem se há algo além do horizonte”

“ A grande descoberta do nosso século é a de que o Universo tem uma historia: não é imóvel nem eterno, mais evolui”

“Se o Cosmo fosse eterno, a luz das estrelas existiria desde sempre e o céu estaria cheio de claridade”

“Esfriando depressa, o Universo criou os átomos que formariam a extrema complexidade do cérebro humano”