sábado, 7 de novembro de 2015

Um meteoro mudou o destino do cristianismo?

Entrevistamos o astrônomo William Hartmann, que acredita que São Paulo - o maior responsável pela popularização da fé cristã - pode ter se convertido depois de observar a queda de um meteoro.

meteoro

Qual é a sua hipótese?
Alguns eventos astronômicos recentes mostram que a reação a meteoros é muito semelhante a relatos registrados em documentos antigos. Na Bíblia, no Livro dos Apóstolos, há três descrições de uma luz brilhante "vinda do céu", que teria ocorrido na década de 30 d.C. na Síria. Os detalhes são muito parecidos aos relatos de bolas de fogo resultantes das quedas de meteoritos em Chelyabinsk (em 2013) ou Tunguska (em 1908). Entre as coincidências mais impressionantes e inesperadas está a descrição de uma cegueira temporária relatada por São Paulo na Bíblia que se parece com os sintomas de uma condição física hoje conhecida como fotoqueratite ou cegueira da neve.
O que deve ter acontecido nesse dia?
Imagino que Saulo (nome original de Paulo) estava a caminho de Damasco com seus amigos para prender os adeptos da nova religião cristã. Quando estavam entre 37 e 64 km de Damasco, testemunharam uma bola de fogo no céu durante o dia, entre duas a dez vezes maior que o Sol. A maioria do grupo fechou os olhos para evitar a intensa claridade (como as pessoas fazem também nos episódios recentes). Saulo manteve os olhos abertos e achou que estava recebendo uma mensagem divina, confundindo o barulho do meteoro com a voz de Deus.
O que explica o milagre bíblico de voltar a ver?
Paulo manteve os olhos abertos e ficou temporariamente cego. Impressionado com um evento tão raro (que ocorre uma vez a cada cem anos), ele se converteu ao Cristianismo, passando a usar o nome de Paulo. Dois dias depois, Paulo recuperou a visão. Era um milagre. Ele descreveu que caíam escamas de seus olhos, algo que conhecemos hoje como escamação epitelial, um dos sintomas da fotoqueratite.

Cometa Lovejoy está liberando álcool e açúcar pelo espaço

Outros 19 componentes foram encontrados no cometa, mas eles não são inéditos. Álcool e açúcar, até agora, só no Lovejoy.

O cometa C/2014 Q2, mais conhecido como Lovejoy, passou perto do Sol em janeiro deste ano, quando foi estudado por cientistas. Na pesquisa, publicada recentemente, os especialistas apontaram que o corpo estava deixando um rastro de álcool etílico, o mesmo encontrado em bebidas: "Descobrimos que o cometa Lovejoy estava liberando tanto álcool quanto pelo menos 500 garrafas de vinho por segundo, durante o seu pico de atividade", disse Nicolas Biver, líder do estudo. O Gliceraldeído é um açúcar simples, que, assim como o álcool, nunca havia sido encontrado em um cometa. É praticamente um drink espacial.

O nome Lovejoy - que significa "a alegria do amor" - poderia até ter a ver com seu rastro embriagado, mas não. É uma homenagem a Terry Lovejoy, astrônomo amador que o descobriu.   
cometa
O grande interesse que astronômomos possuem em cometas é explicado pela idade desses corpos. Eles são muitos antigos (tanto quanto o próprio sistema solar) e podem guardar informações importantes sobre como a Terra e a vida surgiram. Uma das grandes hipóteses estudada por cientistas é que as moléculas orgânicas que originaram a vida vieram diretamente de cometas, quando eles colidiam com o nosso planeta, bilhões de anos atrás. A coautora do estudo, Dominique Bockelée-Morvan, comentou: "O próximo passo é ver se o material orgânico encontrado nos cometas veio de uma nuvem primordial, formada quando o sistema solar foi criado, ou mais tarde, dentro do disco protoplanetário que rodeava o jovem Sol". Essa não é a única evidência: a vitamina B3, por exemplo, também pode ter vindo do espaço.
Apesar de o interesse ser grande, estudar um cometa não é fácil. Eles são restos congelados da formação do nosso sistema solar, e a maioria fica em zonas congeladas, bem longe do Sol. Eventualmente, eles se aproximam de nós, graças a pertubações gravitacionais. Quando isso acontece, a luz solar energiza as moléculas na atmosfera do cometa, o que faz com que elas brilhem em frequências de microondas específicas. Como cada molécula possui a sua própria vibração, os cientistas conseguem utilizar detectores em telescópios para identificar cada uma. E assim, eles acabaram descobrindo o álcool e o açúcar no Lovejoy.
Como cometas viajam por planetas distantes e desconhecidos, a descoberta pode ter outros significados. Mais do que um indicativo sobre como surgiu a vida na Terra, encontrar moléculas orgânicas em cometas pode mostrar que eles estão semeando vida em outros lugares.

Navegue pela maior imagem já feita do Universo

Universidade alemã divulgou imagem da Via Láctea com 47 bilhões de pixels

Astrônomos da Ruhr-Universität Bochum montaram a maior fotografia já feita do (e no) Universo. Usando telescópios do Observatório Paranal, no deserto do Atacama (Chile), os alemães levaram várias semanas até processar a imagem de 47 bilhões de pixels.
Para mostrá-la na resolução total seriam necessárias mais de 22 mil TVs Full HD, de acordo com Moritz Hackstein, doutorando que participou da pesquisa.
universo megafoto
Este retrato da Via Láctea - nossa galáxia idolatrada, salve, salve - foi feito a partir de milhões de imagens capturadas isoladamente ao longo de 5 anos. Cada pedaço passou por filtros (mais para Photoshop do que para Instagram) antes de serem agrupados para gerar um arquivo com 194 Gb. Observando o registro final é possível identificar mais de 50 mil novos objetos espaciais, dado importantíssimo para que os astrônomos investiguem outros sistemas solares e planetas.

EUA aprovam vírus que trata câncer de pele

Terapia, que utiliza vírus geneticamente modificado, recebe permissão da FDA e já pode ser comercializada.

t-vex


A Food and Drug Administration, agência do governo americano que regulamenta a aprovação de medicamentos, autorizou a utilização do vírus T-VEC, desenvolvido pela empresa Amgen (que dá a ele o nome comercial de Imlygic), no tratamento de casos avançados de melanoma - um tipo de câncer de pele que afeta 74 mil pessoas, e mata 10 mil, a cada ano nos EUA. O uso de vírus no combate ao câncer é discutido há decadas, mas só agora chega ao mercado, na forma de uma terapia disponível comercialmente. 
O T-VEC é uma versão geneticamente modificada do vírus HSV-1, que causa herpes. Ao ser injetado nos tumores e se multiplicar dentro deles, libera uma proteína chama GM-CSF, que é fabricada naturalmente pelo organismo em algumas circunstâncias e causa a morte celular. Além dessa ação direta, acredita-se que o vírus estimule o sistema imunológico humano a atacar as células tumorais. 
O tratamento consiste em uma série de injeções, ao longo de seis meses, e irá custar US$ 65 mil. Segundo o fabricante, ele eliminou metade dos tumores durante os testes clínicos. Mas esse número não foi endossado pela FDA - que, ao anunciar a liberação do tratamento, informou que o vírus é eficaz em 16% dos casos de melanoma.

Fonte:Super Interessante

Países religiosos são menos inovadores

Quando a religião interfere na política, quem dança é a ciência e o avanço tecnológico.

Pelo menos é o que diz um estudo da Universidade Princeton. Segundo a pesquisa, quanto mais a religião interferir nas decisões políticas, mais hostil fica o ambiente para a ciência. Fica o recado para o nosso Congresso.
MUNDO
O estudo compara o número de patentes registradas por habitante com a quantidade de pessoas que se declaram religiosas.
religiao e ciência
1. EUA
Os EUA são a única exceção à regra: são muito religiosos, mas se destacam nas patentes. Ainda assim, houve queda durante o governo Bush, quando o presidente proibiu pesquisas com células-tronco, baseando-se em crenças religiosas.
2. Islã
Segundo a pesquisa, os 46 maiores países muçulmanos do mundo produzem apenas 1,16% da literatura científica.
3. Brasil
Com cerca de 90% da população acreditando em Deus e mais de 70 parlamentares no Congresso na chamada "bancada evangélica", temos menos patentes que Irã, Polônia ou Rússia.

Nasa acredita que Marte já foi bem parecido com a Terra

A agência explicou o que diferenciou os dois planetas e por que a vida só se tornou possível aqui.

Vales esculpidos por água corrente. Oceanos abundantes. E uma atmosfera estável, que possibilitava justamente toda essa água em estado líquido. É assim que a Nasa descreveu hoje o passado remoto de Marte. De acordo com a agência, nosso vizinho já foi bem mais parecido com a Terra - um planeta quente e úmido - do que imaginávamos. 
Mas o que aconteceu? Como que Marte se transformou nesse deserto gelado e árido de hoje em dia?
A culpa é do Sol. Todos os planetas do sistema solar são assolados o tempo todo por violentos ventos solares, compostos principalmente por prótons e elétrons, que se locomovem a 3 milhões de quilômetros por hora. No caso de Marte, essas tempestades foram as responsáveis por destruir a atmosfera de lá: arrancaram 100 gramas de gases por segundo ao longo de milhões de anos. Assim, foram lentamente dissolvendo a proteção ambiental do Planeta Vermelho, que possibilitava a água em estado líquido. O mesmo não aconteceu com a Terra porque por aqui temos um forte campo magnético que protege nossa atmosfera - algo que nosso vizinho não tem.
A MAVEN (missão da Nasa que analisa a atmosfera e a evolução de Marte) fez uma simulação desse processo. Dá só uma olhada aqui:

Um homem morreu de câncer — que o verme dentro dele tinha

Em caso inédito, uma espécie de tênia espalhou células do próprio câncer pelo corpo de um homem, que morreu 72 horas depois do diagnóstico.

Um novo estudo explicou o caso que intrigou médicos do mundo todo. Um homem colombiano, de 41 anos, foi parar no hospital depois de muita tosse, febre e perda de peso. Ele era HIV positivo, o que deixava seu sistema imunológico mais debilitado. Ao realizar uma tomografia, o médico encontrou tumores no pulmão e linfonodos e exigiu a realização de uma biópsia nos tecidos pulmonares.
A equipe do hospital não estava preparada para o que veio a seguir: as células analisadas eram claramente cancerosas: se multiplicavam em alta velocidade, eram desordenadas, invasivas e todas iguais. Mas nem de longe pareciam células humanas. Confusos, cientistas realizaram diversos testes até descobrirem que as células tinham DNA do verme H. nana, uma espécie de tênia que afeta mais de 75 milhões de pessoas no mundo.
cancer
Imagem das células cancerosas do verme, que estavam no pulmão do homem

O H. nana é um verme que mede de 15 a 40 milímetros e fica no intestino humano. A hipótese mais provável é que, como o homem possuía o vírus do HIV, o verme conseguiu crescer cada vez mais, sem ser ameaçado pelo sistema imunológico. Quando alguma divisão celular deu errado, a tênia desenvolveu câncer e as células doentes foram depositadas pelo corpo do paciente, já debilitado. Um dos pesquisadores do caso, Atis Muehlenbachs, diz: "Ficamos impressionados quando descobrimos esse novo tipo de doença - vermes crescendo dentro de uma pessoa, contraindo um câncer que se espalha pelo corpo humano e criando tumores".
Por ser uma situação tão inesperada, os resultados do estudo da doença só foram publicados agora, apesar de o homem ter morrido em 2013. É provável que esse não seja um caso isolado, mas os outros ainda são desconhecidos. O tratamento para o problema ainda é uma incógnita: drogas que matam o verme provavelmente não liquidariam o câncer, mas um tratamento quimioterápico para humanos pode ser efetivo.

Uma estrela na linhagem humana: a descoberta do Homo naledi



Ele foi encontrado na África do Sul e preenche uma das muitas lacunas existentes na nossa árvore familiar. A cada passo dado em direção ao passado, fica mais clara a nossa evolução - e mais confusa também.

Homo naledi
Pesquisadores reproduziram feições do Homo naledi com base nos fósseis encontrados

Na-le-dí. "A palavra se desenrola de um jeito bom da língua", diz o geólogo Paul Dirks, com a paixão digna de um romance. Significa estrela, no africano sesotho. O batismo faz alusão à caverna Estrela Nascente, no Berço da Humanidade, famoso sítio arqueológico da África do Sul a cerca de 50 quilômetros de Joanesburgo. A região ganhou esse nome porque existem cada vez mais indícios de que, ali, viveu boa parte dos nossos ancestrais. Há vários registros da passagem de hominídeos por lá, desde a metade do século 20. Em setembro, ficamos sabendo que o Homo naledi foi um deles. A nova espécie acaba de entrar para o clube do gênero humano, ao qual nós, sapiens, também pertencemos. Só que com o privilégio de sermos os únicos viventes nestes tempos. Pelo menos por enquanto.
Paul Dirks, da Universidade James Cook, foi o responsável por fazer o mapeamento geológico da caverna e, especialmente, da Câmara das Estrelas (Dinaledi Chamber), local exato onde o novo hominídeo foi encontrado. Foram coletados cerca de 1.550 ossos do Homo naledi. Crânios, costelas, vértebras, dentes. Esse número foi suficiente para reconstruir o esqueleto de pelo menos 15 indivíduos; e contando, porque o potencial das escavações na câmara está longe de ser esgotado.
Um mapa geológico funciona como uma certidão de evolução, onde são catalogadas todas as rochas e os sedimentos ali presentes. E é a partir desse mapa que nascem as hipóteses de como os hominídeos foram parar naquele local - um dos maiores mistérios a serem desvendados. "Precisamos explicar por que tantos indivíduos naledi entraram nessa câmara isolada e distante, por uma rota difícil, no escuro. E eles entraram inteiros. Não há evidências de traumas, canibalismo ou do ataque de carnívoros", conta Dirks. "Os sedimentos da câmara são distintos dos do resto da caverna, então eles não foram carregados pela água até ali. Também não há evidências de habitação."
Até agora, existem apenas possibilidades. Uma opção é que os naledi tenham ido até ali para depositar seus mortos. Outra é que eles tenham sido levados até lá e tenham acabado presos numa emboscada. Um jeito de testar essas possibilidades é avaliar a idade dos indivíduos. Se o que aconteceu foi uma morte em massa, por eles terem ficado presos, é mais provável que tenham todos idades semelhantes. Se a câmara funcionava como cemitério, podem existir também idosos e crianças.
Homo naledi fósseis
Esqueleto do Homo naledi cercado por vários outros fósseis também encontrados.
O problema é que isso envolve outro mistério: ainda não é possível precisar a idade de ninguém, nem há quantos milhares (ou milhões) de anos eles viveram. "Nós vamos ter que voltar para a caverna para recolher mais material para datação. O material que temos não é ósseo, são sedimentos", afirmou o geólogo. Fazer a datação é absolutamente urgente e, para isso, é necessário recolher substâncias radioativas, como o urânio. Com elas, é possível determinar a idade do material (do mesmo jeito que acontece com o carbono 14, presente nos ossos, mas que só é confiável para amostras de até 70 mil anos).
Toda coleta dos fósseis é liderada pelo paleoantropólogo Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand (Wits), na África do Sul. Ele foi quem organizou a expedição para a caverna, após ser informado por dois escavadores amadores que existiam fósseis de hominídeos ali, em 2013. A equipe que Berger reuniu tem cerca de 60 pesquisadores, sem contar os estudantes que ajudam nas pesquisas. Apesar do time robusto, a missão de desbravar o território só poderia ser realizada por pessoas muito específicas, e isso não teve a ver só com competência. A passagem para a Câmara das Estrelas é tão absurdamente estreita que só um corpo muito esbelto consegue alcançá-la. Berger, então, decidiu lançar uma campanha no mínimo bizarra no Facebook: "procura-se pesquisadores magros". E foram as seis mulheres selecionadas, todas altamente qualificadas e com experiência em escavação, que deram à luz o Homo naledi.

Primitivo e moderno

Quando essas pesquisadoras entraram na câmara, as ossadas não estavam nem ao menos escondidas. Vários fósseis estavam ali, na superfície, inclusive de partes importantes para identificar uma espécie, como uma mandíbula com dentes e parte de um crânio. "Foram os primeiros fragmentos ?espetaculares? recuperados", lembra Dirks. Naquele momento, ainda não podiam dizer com o que estavam lidando, mas já sabiam que era algo especial e completamente novo.
Tudo era muito surpreendente até mesmo para Berger, que trabalha com escavações desde o início dos anos 1990 e já registrou outra espécie de hominídeo: o Australopithecus sediba, que viveu há 1,9 milhão de anos. Ele era um parente distante da Lucy, de 3,2 milhões de anos, que foi a primeira integrante encontrada do gênero. O primeiro fóssil sediba foi achado pelo filho de Berger, durante uma exploração com o pai, em 2008. Ele não acreditou quando viu o menino de 9 anos com uma clavícula de hominídeo nas mãos.
Desde então, o paleoantropólogo tem deixado a comunidade acadêmica, digamos, desconfortável. O próprio sediba já era um bom candidato à transição do Australopithecus africanus para o Homo habilis, o primeiro "homem hábil", mas de feições bem primitivas. O artigo de Berger, publicado em 2010, garantiu ao novato vários desafetos, enciumados pela descoberta. Agora, meros cinco anos depois, ele reaparece com outro exemplar em mãos - desta vez, um pertencente à nossa árvore familiar.
Polêmicas não têm faltado. O Homo naledi é ambíguo. As mãos e os pés mostram semelhanças importantes com os homens modernos, enquanto o tamanho do cérebro é pequeno e o rosto, primitivo como os dos primeiros ancestrais. Mas o formato dos dedos deixa claro que ele era um usuário de ferramentas. E é essa a principal característica que separa o gênero Homo dos australopitecos: a capacidade de produzir instrumentos que facilitem a vida.
Possivelmente, em algum momento, será necessário dividir o gênero Homo em algo novo",
Brian Richmond, PhD em evolução humana
Essa ambiguidade tem feito pesquisadores questionarem os critérios de classificação das espécies. "Ele pertence ao Homo, sim, pelo menos tal como o gênero está definido. Alguns estudiosos acreditam que a linha que separa os Homo e os Australopithecus foi esticada demais", aponta Brian Richmond, PhD em evolução humana e curador do Museu de História Natural de Nova York. "Possivelmente, em algum momento, será necessário dividir o gênero Homo em algo novo", pondera. O antropólogo Jeffrey Schwartz, da Universidade de Pittsburgh, é mais radical: ele defende que a taxonomia atual seja jogada fora e que se refaça a linhagem humana do zero.
Mas com que critério? "A resposta vale milhões de dólares", salienta. "Muitas espécies foram aglomeradas no gênero [Homo gautengensis, ergaster, antecessor...] e chegamos ao ponto em que nada une todos eles. Então, eu defendo definirmos bem o Homo sapiens e, em seguida, ampliar as comparações com outros espécimes, esquecendo do que eles têm sido chamados, para ver as semelhanças que emergem naturalmente", defende Schwartz. Isso porque ele acredita que segregar os hominídeos de acordo com quem tem ou não a habilidade de confeccionar ferramentas é um tanto elitista. "Isso se baseia na noção de que nós, Homo sapiens, somos tão únicos que só aqueles dotados dessa inteligência merecem estar conosco no mesmo gênero."
Fora isso, já existem evidências de que primatas muito mais antigos que os nossos ancestrais também tenham tido essa habilidade. Ferramentas manufaturadas descobertas em 2014, na África Oriental, foram datadas com 3,3 milhões de anos - 700 mil anos mais velhas do que as ferramentas mais antigas que conhecíamos. "Isso significa que diferentes gêneros também fizeram ferramentas. Essa é, certamente, uma forma mais razoável de ver nossos parentes distantes."
O geólogo Paul Dirks argumenta, no entanto, que a classificação do Homo naledi não foi aleatória e é compatível com a literatura formal. "Nós fizemos um workshop com um número muito grande de pesquisadores. Decidimos coletivamente classificá-lo como Homo e isso nem ao menos foi levantado como um ponto sério a ser discutido ao longo do processo", lembra. "Agora que é público, não é surpresa que o debate sobre taxonomia se reacenda". Ainda mais se lembrarmos que, dependendo do membro avaliado, ele pode lembrar mais um australopiteco mesmo. Mas, como o tamanho do cérebro não é o critério (apesar de já ter sido), não vale a pena perder tempo nessa discussão. Berger e seu time estão focados nos próximos passos: retomar as escavações, datar os fósseis e, enfim, poder dar um pouco mais de humanidade para o Homo naledi, que já tem nome, sobrenome e está só à espera de alguém que consiga retirar da terra a sua história.

Linha evolutiva 

Ainda não é possível precisar em que época o Homo naledi viveu. Porém, sua anatomia revela evolução intermediária entre os australopitecos e o Homo erectus, ancestral que começa a se aproximar mais dos humanos modernos.
 
Australopithecus
Espécies viveram entre 3,9 e 2,5 milhões de anos atrás
 
Homo naledi
Idade ainda não definida
 
Homo erectus
Viveu entre 1,8 milhão e 300 mil anos atrás
Fonte:Super Interessante

O Sol destruiu a atmosfera de Marte

Nasa esclareceu o mistério de como um planeta que já foi tão habitável quanto a Terra tornou-se um deserto vermelho.

marte terra


Na segunda feira, a Nasa criou um baita mistério dizendo que iria anunciar uma "grande descoberta sobre a atmosfera de Marte". A revelação, exposta numa conferência hoje à tarde, é que eles finalmente acharam a resposta sobre o que deu errado com nosso vizinho.
Analisando dados do satélite MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution, "Atmosfera e Evolução Volátil de Marte"), eles concluíram que a atmosfera do planeta foi quase completamente varrida por ventos solares. Ventos solares são emissões de partículas, principalmente prótons e elétrons, que o Sol gera o tempo todo. E eles são bem capazes de jogar para o espaço a atmosfera de um planeta, como mostra o vídeo a seguir:


"Marte parece que um dia teve uma atmosfera densa e quente o suficiente para manter água líquida, o que é um ingrediente crucial para a vida como conhecemos", afirma John Grunsfeld, astronauta e administrador do Diretório de Missões Científicas da Nasa. "Entender o que aconteceu com a atmosfera de Marte irá nos esclarecer a dinâmica e a evolução de qualquer atmosfera planetária. Entender o que pode causar mudanças no ambiente de um planeta, de um que pode abrigar micróbios na superfície para um que não pode, é importante de conhecer, e uma questão central no que está sendo esclarecida pela jornada da Nasa à Marte."
Vizinho azarado
Marte tem uma história triste. Há cerca de 3,8 bilhões de anos, tinha uma atmosfera densa e água líquida, na forma de lagos, rios e oceanos, exatamente como a Terra. Isso permitiria ao planeta abrigar vida (se realmente existiu, ainda é um mistério). Cem milhões de anos depois, tornou-se o deserto que conhecemos.
O que a perda da atmosfera tem a ver com a água? Quando a pressão atmosférica diminui, também diminui o ponto de ebulição. No vácuo, a água nunca é líquida, apenas sólida ou gasosa. Em Marte, que tem uma pressão atmosférica igual a 1% da terrestre, a água evapora a 10 ºC. Além disso, uma atmosfera densa é necessária para o efeito estufa, que aquece o planeta inteiro. A combinação de baixa pressão e muito frio faz com que, hoje em dia, Marte praticamente só tenha água no estado sólido ou gasoso.
Por que o mesmo não aconteceu aqui? Porque a Terra, diferente do vizinho, tem um campo magnético. Esse campo desvia os ventos solares ? a gente ainda perde um pouquinho de atmosfera, mas é irrelevante em comparação com Marte. Esse campo é formado pelo movimento do ferro fundido abaixo da crosta. O que quer dizer que um planeta precisa ter o interior quente para ter campo magnético. Marte esfriou rapidinho e, segundo a Nasa, perdeu seu campo magnético há 4,2 bilhões de anos. A atmosfera começou a vazar até que, há 3,7 bilhões de anos, era rala demais para manter água líquida na superfície.
Fuga constante
O ar marciano continua a vazar. A Nasa calculou que a perda de atmosfera em Marte hoje em dia é de 100 gramas por segundo. É uma micharia, e o pouco que restou deve ainda durar por mais 2 bilhões de anos. Mas nem sempre foi assim: mesmo hoje, quando ocorrem as tempestades solares, emissões nas quais o vento solar é muito mais violento, esse valor se multiplica por 10 ou 20. No passado, quando o Sol era jovem e muito mais ativo, essas tempestades eram mais comuns e violentas. Então, para as contas fecharem, nosso pobre vizinho um dia perdeu entre 100 a 1000 vezes mais que hoje. Ainda assim, levou até 500 milhões de anos.
Pra terminar, uma pergunta feita aos cientistas na conferência: pode acontecer aqui? A Terra só perde o campo magnético nos eventos de inversão de polos. Mas eles levam meros séculos, e isso não é nada na escala geológica.

Sacola feita de gelatina é biodegradável e comestível

Um trabalho, que está sendo realizado na USP, quer ajudar o meio ambiente criando uma embalagem "plástica". Só que essa não demora mais de 100 anos para se decompor.

As sacolas plásticas figuram na lista de grandes vilãs do planeta: são feitas de derivados do petróleo, poluem os mares, matam animais e entopem bueiros. Por isso, a demanda por embalagens reutilizáveis, como as ecobags, aumentou bastante nos últimos anos. Criar uma sacolinha que imita a plástica, mas sem os danos ambientais, é uma das metas de um time da USP.
O coordenador do projeto, Paulo José Sobral disse que a gelatina "é uma proteína produzida no mundo inteiro, pois se origina de matéria prima abundante e, no geral, de custo reduzido; por isso foi escolhida. Além disso, ela tem boas propriedades, como a de formar filmes, por exemplo". O meio ambiente agradece: "Se a pessoa não consumir e descartar, ele vai desaparecer em cerca de seis semanas, em contato com o solo".
sacola
Eles já conseguiram chegar a um material bem parecido com o plástico, mas ainda enfrentam algumas dificuldades, como a umidade. Como os produtos utilizados têm origem natural, possuem grande poder de retenção de água, o que pode fazer com que a embalagem fique grudenta se não funcione corretamente. Para isso, eles já estão trabalhando com nanopartículas de argila, que podem diminuir o problema.
Além disso, a equipe visa adicionar outras funcionalidades ao produto, como ação antimicrobiana e antioxidante, "adicionando à estrutura do material óleos essenciais e outros produtos naturais. Os óleos essenciais de orégano e de alecrim, por exemplo, são excelentes conservantes?, finaliza.

Plantações ilegais de maconha estão matando parentes do furão

10% das mortes do animal se deram por um pesticida usado em plantações ilegais.

A maconha ilegal é a mais nova inimiga de uma espécie de roedores norte-americanos, membros da família do furão. A espécie conhecida como Fisher teve um aumento 233% no número de mortes por envenenamento entre 2012 e 2014. Depois de rastrearem os animais, pesquisadores perceberam que isso está intimamente ligado ao cultivo irregular da droga.
Um estudo realizado nos estados da Califórnia e Nevada, computou mortes de animais da espécie Pekania pennant, o nome cientifico dos fishers. O resultado aponta que 10% do total de mortes vistas na pesquisa se deram porque o animal ingeriu um pesticida contra ratos. O veneno era usado em plantações ilegais de cannabis instaladas na região. Os cientistas envolvidos na descoberta até chegaram a analisar se os mamíferos haviam ingerido a droga, mas as autópsias realizadas atestaram que não.
A pesquisa produzida pela ONG IERC Ecology analisou a morte de 167 fishers, e o envenenamento figurou como a terceira maior causa mortis do estudo, com 10% do resultado total. Mesmo os animais que sobreviveram não ficaram imunes ao veneno. 85% dos espécimes encontrados haviam tido contato com pesticidas. Outro dado computado é de que os bichos do sexo masculino foram sete vezes mais suscetíveis ao envenenamento do que as fêmeas. O estudo acredita que isso ocorre porque, durante a primavera, o macho da espécie percorre grandes distâncias à procura de um par, se expondo à maiores riscos.
No final de 2014, foi proposto que o Fisher se enquadrasse dentro da lei de proteção animal dos Estados Unidos, a resposta será divulgada em abril do ano que vem.
Fisher neve


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Clínicas de reimplante capilar atraem turistas para a Turquia

Indústria da medicina estética local realiza 5.000 procedimentos por mês.
Baixo preço faz agências de viagem criarem pacotes com passeio e cirurgia.


Paciente de reimplante capilar tem couro cabeludo mapeado antes de cirurgia (Foto: Estetistanbul/divulgação)
Paciente de implante capilar tem couro cabeludo mapeado antes de cirurgia (Foto: Estetistanbul/cortesia)
Um novo tipo de turismo tem crescido na Turquia: o de homens que chegam ao país não só para conhecer a história e as paisagens do país, mas para fazer tratamento de reimplante capilar.
Médicos trabalhando com cirurgia estética turca acabaram criando uma indústria especializada no serviço, que tem atraído pacientes de países do Oriente Médio, Estados Unidos e Europa. Clínicas estimam que mais de 5.000 pacientes estejam sendo submetidos ao procedimento no país todos os meses.
Como o custo da mão-de-obra e de infraestrutura é menor no país, um procedimento de extração de unidade folicular (FUE, na sigla em inglês) pode custar na Turquia um décimo daquilo que se paga em grandes centros urbanos do ocidente. Esse tipo de cirurgia envolve a extração de folículos capilares saudáveis da nuca ou de outras partes do corpo para implante na parte superior da cabeça, mais afetada pela calvície.
Enquanto um tratamento nos EUA e na Europa custa tipicamente mais de US$ 15 mil, agências especializadas em "turismo médico" têm oferecido pacotes de viagem por menos de US$ 2.000 que incluem o procedimento médico, passagem e hotel.
Segundo um relatório do Ministério da Saúde da Turquia, clínicas especializadas em FUE têm movimentado mais de US$ 1 bilhão por ano desde 2012. A indústria da medicina estética está gerando renda também para o turismo; é comum ver homens com bandagens na cabeça visitando a Mesquita Azul de Istambul e outros pontos turísticos da Turquia.
Fonte:G1 GLOBO

Nasa faz imagens inéditas do Sol em alta definição

Agência monitora estrela 24 horas por dia desde 2010.


Imagens do Sol foram feitas pelo Observatório da Dinâmica Solar da Nasa (Foto: Nasa/Divulgação)
Imagens do Sol foram feitas pelo Observatório da Dinâmica Solar da Nasa (Foto: Nasa/Divulgação)A Nasa divulgou imagens em alta definição do Sol. Elas foram captadas pelo Observatório da Dinâmica Solar da Nasa, que monitora a estrela 24 horas por dia desde 2010.
Ele captura imagens da estrela em 10 comprimentos de onda para pesquisar as temperaturas dos diferentes materiais que compõe o Sol.
Cada temperatura mostra estruturas específicas, como explosões de luz e de raios-x e movimentos na coroa solar.
Estudar a estrela mais próxima da Terra é também uma forma de entender outras regiões da galáxia. As imagens podem ser vistas em formato 4k pelo site da Nasa.
Nasa disponibilizou imagens em altíssima resolução em seu site  (Foto: Nasa/Divulgação)Nasa disponibilizou imagens em altíssima resolução em seu site (Foto: Nasa/Divulgação)
Imagens do Sol mostram detalhes de explosões solares (Foto: Nasa/Divulgação)Imagens do Sol mostram detalhes de explosões solares (Foto: Nasa/Divulgação)
Fonte:G1 GLOBO